Gente nas janelas: solidão, cidade e o desejo de pertencer
Há um momento do dia em que a cidade muda de aparência. O sol desaparece, as ruas escurecem e, pouco a pouco, as janelas começam a se acender. Vistas de longe, parecem pequenos retângulos de luz espalhados pelos prédios. Mas cada uma delas guarda alguma coisa que não vemos. Alguém prepara o jantar. Alguém termina um trabalho que já não lhe interessa. Uma mulher dobra uma roupa que pertenceu a outra pessoa. Um homem permanece alguns minutos diante do espelho. Uma criança faz a lição de casa. Um casal conversa. Outro já não conversa. Alguém espera uma ligação que talvez não venha. De fora, vemos apenas a luz. Lá dentro, entretanto, pode caber uma vida inteira. A estranha solidão de viver cercado de pessoas Uma das contradições mais características da vida urbana é que podemos estar permanentemente cercados de pessoas e, ainda assim, experimentar uma profunda sensação de isolamento. Cruzamos dezenas ...